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Artigos - Mário Eugênio Nogueira

 

O LIVRO DO ÊXODO
21/2/2013

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É difícil determinar no que consiste e como se dá a santidade da Igreja ou, se quisermos, do povo de Deus. A santidade do povo de Deus é atribuição divina, na maioria das vezes invisível a nossos olhos.

 

Nos dias de hoje, muitas entidades religiosas estão envolvidas com a evangelização, utilizando as modernas tecnologias, crendo que dessa maneira estão atingindo objetivos significativos.

 

Se admitirmos que a santidade e suas consequências "se tornam mais profundas à medida em que isso implica a penetração da mente do fiel e da alma do povo" (Frederico Ruiz, Comp. Teologia Espiritual, pág. 411, Loyolla) somos levados a considerar que as narrativas contidas no Livro do Êxodo são como uma realidade desejada por Deus, que intentava, na ocasião, em linhas gerais, ensinar ao povo o significado da verdadeira libertação do Egito, com a vantagem de que a pessoa passasse por essa experiência espiritual com a intensidade de atos reais (sentir na própria carne), experiências (aprendizado) das quais necessitamos como seres feitos para o desenvolvimento espiritual. Daí a atualidade desse livro bíblico.

 

exodo.jpgPara os que não estão familiarizados, o Êxodo (segundo livro da Bíblia) narra uma série de fatos ligados ao povo israelita, que depois de libertados por Moisés do jugo egípcio, dirige-se pelo deserto para a terra de Canaã (séc. XIII AC). Esse trajeto dura em torno de quarenta anos, durante os quais o Senhor vai manifestar-Se àquele povo, incutindo-lhe no coração o Seu amor por eles.

 

Por isso, o livro do Êxodo, ao ser considerado como narrativa de um povo que procura seu próprio rosto e por extensão o do Criador, cria significações para nossos dias, nos lembrando de que o homem da atualidade (virtualmente científico e emocional) necessita, religiosamente falando, de uma pedagogia que o faça perceber a necessidade de Deus em sua vida, ainda mais considerando que a cultura, como está posta, quer nos fazer desacreditar no Criador e no seu Amor.

 

Nos ensinamentos divinos, visando nossa perfeição no amor, o Criador vai permitir que Sua graça seja sentida pelo fiel e opere sua transformação no "ser" que Deus lhe deu para a existência.

 

Devemos crer que em nossa trajetória existe, de fato, uma pedagogia divina, um processo completo, onde o sofrimento, a morte e a ressurreição encontram-se entrelaçadas, porque estão sob os auspícios do Todo-Poderoso.

 

O profeta Ezequiel acentuou, nos seus escritos, quando reconheceu: "Se Eu os tirei do Egito, foi somente em consideração ao Meu nome, a fim de que não fosse (aquele povo) odiado aos olhos das nações" (eu os fiz assim, sair do Egito, e os conduzi ao deserto) (Ezequiel 20, 9-10).

 

Fica evidente a iniciativa do Senhor, quando Ele deseja e quer participar da Salvação do seu povo, logrado as diversas fases históricas.

 

O amor de Deus toma muitas vezes a forma de provação, situação na qual o homem aceita o auxílio divino, reconhecendo que existe um Criador acima dele, cheio de ternura e de graças para ajudá-lo a crescer e se desenvolver.

 

Reconhecidamente, toda crise é prenhe de resultados. Atrás, ou dentro de cada crise, já existe de forma embrionária (como semente) a solução/resposta para aquele determinado problema. No auxílio que Deus nos presta com sua graça, vão estar embutidos a força, a complementação e, principalmente, a compreensão que necessitamos ter, como energia auxiliar, para vencermos nossas dificuldades. É Deus quem pode e vai administrar, se deixarmos, em sociedade conosco, os problemas e as situações pelas quais devemos passar, amadurecendo, presente o que disse o profeta Ezequiel, quando completou: "Sou Eu que Sou o Senhor vosso Deus, e foi nesse dia que jurei tirá-los do Egito para conduzi-los à terra que Eu escolhi para eles, terra que emana leite e mel" (Ez 20, 5-6).

 ceu.jpg

Como se não bastassem essas palavras tão encorajadoras, há ainda a afirmação de que Deus nos dá, afirmando que é de Seu agrado, providencialmente, um lugar onde poderemos nos saciar de Sua presença. O que mais podemos desejar?

 

E, aonde temos colocado nossa esperança de libertação?

 

Alguém me disse outro dia (eu gostei da frase) que no futuro seremos cobrados não pelas falhas que cometemos, mas, principalmente, porque deixamos escapar pelas mãos e não soubemos onde colocar nossas esperanças. Concluí, então, que seremos julgados porque não deixamos o Senhor ser o Deus de nossas vidas. Usurpamos o lugar da divindade.

 

Felizmente, Deus está por detrás das soluções, aguardando tão somente o pedido de auxílio do homem. Aceitando a ajuda divina, o homem cresce e aprende a amar, superando suas limitações e deficiências. E, de posse das graças divinas, pode e consegue fazer a travessia do deserto (terra inóspita e de intensa batalha pela sobrevivência), porque Deus vai estar ali, de maneira pedagógica, como compete a um Pai que se mostra amoroso e benevolente, velando por nós, suas criaturas.

 

Oxalá, compreendêssemos a essas realidades tão simples e convidativas.