SÃO PAULO - O bispo de Guarulhos (SP), Dom Luiz Gonzaga
Bergonzini, afirmou que não recuará e levará sua manifestação de veto à
presidenciável às missas e celebrações das 37 paróquias da cidade, em uma
recente entrevista ao jornal A Folha de São Paulo. Dom Bergonzini considera o PT
favorável à descriminalização do aborto
e divulgou um artigo recomendando que os católicos não votem na candidata
petista. Na sua entrevista à Folha, o bispo de 74 anos, diz não ter nada pessoal
contra a candidata, que negou que ela ou o presidente Lula sejam a favor do
aborto. Abaixo reproduzimos os trechos mais destacados da entrevista feita à
Folha.
Folha:
Mesmo com a recomendação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pela
neutralidade na campanha, o senhor decidiu explicitar sua posição contrária à
candidata Dilma Rousseff. Por quê?
D. Luiz
Gonzaga: Em primeiro ligar, que recomendação é essa? A CNBB não tem
autoridade nenhuma sobre os bispos. Eu segui a voz da minha consciência. Sou
cristão de verdade e defendo o mandamento "não matarás". Não tem esse negócio de
"meio termo".
Folha: A
candidata afirma que não defende a descriminalização do aborto. Mesmo assim, o
senhor cita o nome dela no artigo.
D. Luiz
Gonzaga: Ela (Dilma) segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou
matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à
vida é o maior direito
humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé,
não.
Folha:
Como o senhor concluiu que ela tem essa posição? Isso nunca ficou claro e ela
nega.
D. Luiz
Gonzaga: É o terceiro plano de governo que ela adota. Como percebeu que
havia reação, foi mudando. Não vou recuar.
Folha: O
senhor pretende levar ao conhecimento dos fiéis da diocese essa recomendação de
não votar na candidata Dilma?
D. Luiz
Gonzaga: Os padres devem notificar ao povo a orientação do bispo. Eu
não vou arredar o pé, não importa as consequências que eu venha sofrer, mas o
que importa é minha consciência e seguir o Evangelho. Eu não tenho medo. O que
pode acontecer? Deus saberá.
Folha:
Inclusive nas missas, os padres vão tratar do tema? Vão citar o nome da
candidata?
D. Luiz
Gonzaga: Tratar do tema, não. Podem citar o nome dela, porque vou
mandar uma carta para os padres notificarem as pessoas da minha recomendação nas
missas. Como cidadão, tenho direito de expressar minha opinião e, como bispo,
tenho a obrigação de orientar os fiéis.
Folha: O
senhor teme algum tipo de retaliação ou reação negativa, seja por parte da CNBB
ou de partidários da candidata Dilma?
D. Luiz
Gonzaga: Sempre tem alguma coisa. Tenho recebido muitos e-mails. Não
sei se são ameaças, mas contestando. Mas posso te dizer que muitos de apoio. As
pessoas dizem: "finalmente alguém que usa calça comprida resolveu
reagir".
Fonte: www.acidigital.com