VATICANO - O Papa Bento XVI explicou, na audiência geral, que a
contemplação de Cristo, especialmente na oração, "não nos afasta da realidade,
mas torna o ser humano ainda mais participante das questões humanas".
Bento XVI também assinalou que "o
encontro cotidiano com o Senhor e a frequência nos Sacramentos permitem abrir
nossa mente e nosso coração para Sua presença, a Sua palavra, a Sua ação. A
oração não é somente o respiro da alma, mas para usar uma imagem, é também o
oásis de paz no qual podemos tirar a água que alimenta nossa vida espiritual e
transforma nossa existência".
"E Deus nos atrai para si, nos faz
subir a montanha da santidade, porque estamos sempre mais próximos a Ele,
oferecendo-nos, ao longo do caminho, luzes e consolações",
acrescentou.
Refletindo sobre a profundidade da
oração de São Paulo, o Papa indicou que "a mística de Paulo não se
funda somente sobre eventos excepcionais por ele vividos, mas também no
cotidiano e intenso relacionamento com o Senhor que sempre o sustentou com Sua
Graça. A mística jamais o afastou da realidade; ao contrário, lhe deu a força
para viver cada dia por Cristo e para construir a Igreja até o fim do mundo e
daquele tempo."
"A união com Deus não afasta do
mundo, mas nos dá a força para permanecer realmente no mundo, para fazer aquilo
que deve ser feito no mundo. Também em nossa vida de oração podemos, então, ter
momentos de particular intensidade, talvez, no qual sentimos mais viva a
presença do Senhor, mas é importante a constância, a fidelidade no
relacionamento com Deus, sobretudo nas situações de aridez, de dificuldade, de
sofrimento, de aparente ausência de Deus".
"Somente se nos sentirmos
agarrados pelo amor de Cristo, seremos capazes de enfrentar qualquer
adversidade, como Paulo, convictos de que tudo podemos Naquele que nos
fortalece".
"Portanto, quanto mais damos espaço
à oração, mais veremos que a nossa vida se transformará e será animada pela
força concreta do amor de Deus. Assim aconteceu, por exemplo, com a beata Madre
Teresa de Calcutá, que na contemplação de Jesus e mesmo em tempo de longa
aridez, encontrava a última razão e a força inacreditável para reconhecê-Lo nos
pobres e nos abandonados, apesar de sua frágil figura".
O Papa explicou também que assim
como com o Apóstolo, "o Senhor não nos liberta dos males, mas nos ajuda a
amadurecer nos sofrimentos, nas dificuldades, nas perseguições. A fé, então, nos
diz que, se permanecemos em Deus 'ainda que exteriormente se desconjunte nosso
homem exterior, nosso interior renova-se dia após dia, justamente nas
provas'".
"O Apóstolo comunica aos cristãos de
Coríntios que também a nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos
proporciona um peso eterno de glória incomensurável' (v. 17). Na realidade,
humanamente falando, não era pouco o peso das dificuldades, era muito grande,
mas em contrapartida com o amor de Deus, com a grandeza de ser amado por Deus,
parece pouco, sabendo que a quantidade da glória será
incomensurável".
Assim, continuou o Papa, "na medida
em que cresce nossa união com o Senhor, faz-se intensa a nossa oração, também
nós caminhamos ao essencial e compreendemos que não é a potência dos nossos
meios, das nossas virtudes, das nossas capacidades que realiza o Reino de Deus,
mas é Deus que opera maravilhas justamente através da nossa fraqueza, da nossa
inadequação à atribuição".
"Portanto, devemos ter a humildade
de não confiar simplesmente em nós mesmos, mas de trabalhar, com a ajuda do
Senhor, na vinha do Senhor, confiando-nos a Ele como frágeis 'vasos de
barro'".
O Santo Padre afirmou que
"Somente a fé, a confiança nas ações de Deus, na bondade de Deus que não nos
abandona, é a garantia de não trabalhar em vão. Assim, a Graça do Senhor foi a
força que acompanhou São Paulo nos tremendos esforços para difundir o Evangelho
e o seu coração entrou no coração de Cristo, tornando capaz de conduzir os
outros em direção Àquele que morreu e ressuscitou por nós".
"Na oração, nós abrimos, então, a
nossa alma ao Senhor a fim que Ele venha habitar em nossa fraqueza,
transformando-a em força para o Evangelho. E é rico o significado também do
verbo grego com o qual Paulo descreve esta moradia do Senhor em sua frágil
humanidade; usa 'episkenoo', que podemos entender como "montar a própria tenda".
O Senhor continua a montar Sua tenda em nós, em meio a nós: é o Mistério da
Encarnação. O mesmo Verbo divino, que veio habitar em nossa humanidade, quer
habitar em nós, montar em nós Sua tenda, para iluminar e transformar a nossa
vida e o mundo".
O Santo Padre ressaltou
ainda que "contemplar o Senhor é, ao mesmo tempo, fascinante e algo
tremendo: fascinante porque Ele nos atrai para si e rouba nosso coração em
direção ao alto, levando-o para as Alturas onde experimentamos a paz, a beleza
do Seu amor; tremendo porque expõe nossa fragilidade humana, nossa inadequação,
o esforço de vencer o maligno que ameaça nossas vidas, aquele espinho preso
ainda em nossa carne".
"Na oração, na contemplação
cotidiana do Senhor, nós recebemos a força do amor de Deus e sentimos que são
verdadeiras as palavras de São Paulo aos cristãos de Roma, aos quais escreveu:
'Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os
principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas,
nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus
nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor'".
O Papa Bento XVI afirmou também que
"num mundo em que corremos o risco de confiar somente na eficiência e na
potência dos meios humanos, neste mundo somos chamados a redescobrir e
testemunhar a potência de Deus que nos comunica na oração, com a qual crescemos
cada dia no conformar a nossa vida àquela de Cristo".
Fonte: www.acidigital.com