BRASILIA, DF - Segundo
informou o portal oficial da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasi (CNBB), os membros da Presidência da entidade apresentaram,
na sexta-feira, 22 de junho, uma nota Oficial a respeito da ética
pública manifestando indignação e perplexidade da sociedade brasileira diante de
fatos políticos e administrativos que contrariam a ética pública e o bem
comum.
"A impunidade é um incentivo constante para novos crimes e novas
violências", lembram os bispos na sua nota, lamentando recentes fatos do cenário político
brasileiro.
"O senso de justiça, sempre presente na consciência da nação
brasileira, é incompatível com as afrontas ao bem comum que logram escapar às
penas previstas, contribuindo para generalizada sensação de que a justiça não é
a mesma para todos", recalcaram os prelados.
Abaixo publicamos na íntegra
a nota dos bispos brasileiros sobre a ética pública:
Nota da CNBB
sobre a ética pública
"Ai dos que fazem do direito uma amargura
e a justiça jogam ao chão" (Am 5,7).
Fatos políticos e administrativos,
que contrariam a ética pública e o bem comum, têm sido fartamente divulgados
pela Imprensa, provocando uma reação de indignação e perplexidade na sociedade
brasileira. Chega-se mesmo a colocar em xeque a credibilidade das instituições,
que têm o dever constitucional de combater a corrupção e estancar a impunidade,
que alimenta tal prática.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,
solidária a este sentimento que inquieta a população, vem, através do Conselho
Permanente reunido em Brasília de 20 a 22 de junho, manifestar, mais uma vez,
sua grave preocupação com estas suspeitas de violação aos princípios da
moralidade e da legalidade consubstanciados na Constituição Federal.
Já
em 1993 a CNBB questionava: "Como não denunciar a grande criminalidade dos que
desviam, em proveito pessoal, enormes somas dos órgãos públicos, provocando
escândalo e revolta, muitas vezes impotentes, da parte dos humildes, a quem
estavam destinados esses bens? Como não solicitar que os crimes mais graves
sejam punidos e que a lei não seja severa apenas com os pequenos infratores, sem
jamais atingir os poderosos e espertos? Como tolerar que a um grande número de
denúncias comprovadas de corrupção e prejuízo dos cofres públicos não
corresponda igual número de punições e ressarcimentos? A impunidade é um
incentivo constante para novos crimes e novas violências" (CNBB, Ética, Pessoa e
Sociedade, n. 143, 1993).
O senso de justiça, sempre presente na
consciência da nação brasileira, é incompatível com as afrontas ao bem comum que
logram escapar às penas previstas, contribuindo para a generalizada sensação de
que a justiça não é a mesma para todos. Todo cidadão tem o direito à correta
gestão de assuntos e serviços públicos, afastando-se a deletéria, porque
corrupta, conduta dos governantes de tratar a coisa pública, o patrimônio e
negócios públicos, como objetos pessoais postos a usufruto particular e
partidário, e à satisfação de caprichos egoístas.
A sociedade brasileira
espera e exige a investigação de toda suspeita de corrupção bem como a
consequente punição dos culpados e o ressarcimento dos danos. O que temos
assistido, no entanto, parece apontar em direção oposta quando muitos fatos, no
passado e no presente, ficam sem solução e caem no esquecimento. Isso explica o
crescente desencanto da sociedade com as instituições públicas. Os mecanismos
que têm a responsabilidade de passar a limpo as corrompidas estruturas do país
caem no descrédito e ficam desmoralizados se não cumprem o papel a que se
destinam. Nenhum outro interesse pode subjugá-los senão o do resgate da ética no
trato com a coisa pública.
Reafirme-se que a força dos três poderes da
Repúbica está na sua harmonia, no pleno respeito à sua correspondente
independência e autonomia. Os que respondem diretamente por seu funcionamento,
no entanto, nunca se esqueçam de que o poder que exercem provém da sociedade. Da
mesma forma, o agente político se recorde de que é seu dever ultrapassar as
fronteiras político-partidárias, as condicionantes de oposição-situação, para
colocar-se a serviço do Estado e da sociedade, sem confundir jamais o público
com o privado, o que constituiria grave ofensa à legislação e desrespeito à
sociedade.
No compromisso de construir uma sociedade justa e solidária,
inspire a todos a palavra de Jesus Cristo: "Seja o vosso sim, sim, e o vosso
não, não. O que passa disso vem do Maligno" (Mt 5,37).
Que Nossa Senhora Aparecida,
Padroeira do Brasil, abençoe nosso povo e anime sua esperança!
Brasília,
22 de junho de 2012
Cardeal Raymundo Damasceno
Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da
CNBB
Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São
Luís do Maranhão
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich
Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da
CNBB